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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Pensamentos noturnos

Seguimos pela vida, sem muitos propósitos e sem muitos pensamentos.
Encontramos desafios, aprendemos com outras pessoas.
Amamos, claro, porque esta é uma parte da vida sem a qual não damos significado a nada.

E o tempo vai passando...
O conceito de certo e errado amadurece.
O conceito de beleza é (re)construído constantemente.
As verdades se mostram relativas e, no final das contas, a poesia é relativa.

A maturidade não está nos anos, mas nas vivências.
A experiência melhor é aquela que não nos contam e que talvez não contemos a ninguém.

As amizades sinceras sempre permanecem, assim como os sentimentos verdadeiros.
Mas sempre estamos prontos para tomar as decisões erradas: a diferença é que, a cada dia, estamos um pouco mais conscientes das consequências...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Cinzas (apenas cinzas)

A vida é por demais frágil.

Fraca perante tanto ódio, intolerância, incompreensão.

Nossa vida é assim, perene, sutil e mínima frente às mazelas dos insensatos.

Ao invés de vermos brotar à bandeira da compreensão, apenas percebemos que a daninha erva do egoísmo se expande.

O ódio cresce.
O amor se sufoca.

A intolerância premedita, cria circunstâncias e inventa desculpas.

E o sentimento - que socialmente se esconde - chega até o ponto em que, sem vergonha alguma ou remorso qualquer, mata.

E junto do sangue vão se às lágrias, os devaneios, o desejo de aceitação por ser o que de fato se é: humano.

E, não bastasse tanto ódio, ainda taca-se fogo, para não restar nada além de cinzas.

Nada além de vagas lembranças de que, no fundo, todos temos direito de ser e viver à nossa própria maneira.

Ficam lágrimas, que precisam nos fortificar para seguir adiante e impedir futuras violências. 

#PrayforItaberli

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Devaneios (preocupações silenciosas)

Há um barulho silencioso se processando em meu ouvido.
Ele penetra fundo e grita, esgueirando dentro de minha cabeça.

O mundo, como deveras haveria de ser, ainda gira.
E finge que nada acontece.

O som das pás do ventilador fazem o tic dizendo que estão presentes.
Mas da penumbra nada surge além das horas deslizando pelo tempo.

São tantos compromissos, indevidos ou indefinidos, que nada posso fazer além de esperar que o tempo para cada qual se achegue.

E assim passam-se os muitos poucos minutos que ainda restam até a próxima aula.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

(Se) Conhecer - Mulheres

Toda mulher precisa se conhecer.
Conhecer seu corpo. Tatear os pontos realmente importantes.
Se acompanhar, acompanhar o tempo, acompanhar sua vida.
O perigo existe e não existem maneiras de prevenção.
Mas quanto antes descobrir, mais cedo poderá ser feita a intervenção.

Se tocar deve ser uma ação constante, desde bastante cedo, quando o corpo de criança dá lugar ao corpo de mocinha.
Ah, a adolescência! Quantas emoções, quantas sensações, quantos paquerinhas, não?!?
E, não importa a idade, o autoexame precisa ser uma realidade.
É um autocuidado. Um auto carinho. Uma auto preocupação.

Este encontro consigo mesma precisa ser todos os meses.
E pode ser – pra ficar melhor ainda – sempre no mesmo dia.
Pra se familiarizar, para se conhecer melhor.

E o tempo vai passando, o corpo vai mudando e – feito vinho – toda mulher vai melhorando.
Depois de quatro décadas, mais do que o autoexame, a mamografia se torna indispensável.
Importante para detectar, para acompanhar, para se preservar.

Tudo isso porque ele é silencioso.
Se achega, soturnamente, sem dar sinais ou contar a que veio.
No início é uma doença que não dá sintomas, que pode não causar dor, não se mostrar presente.
Pode chegar como um caroço.
Pode se mostrar como uma leve retração na pele.
Talvez algumas manchas.
Algumas vezes algum líquido saindo das mamas.

Mas se aquiete menina: quase nenhuma dor nas mamas está relacionada ao dito cujo.
Dores podem ser decorrentes de alterações hormonais ou mesmo emocionais.

Portanto, o melhor mesmo é se tocar.
Se conhecer. Acompanhar o seu corpo em cada fase da vida.
E viver cada estação com o seu prazer, com o seu sabor, com a sua devida felicidade.

A vida é preciosa demais pra se viver sem se conhecer!
E outubro chega, totalmente colorido.
Pintado de rosa, pra representar a importância dessa mensagem.

Se cuide. Se previna. Se monitore.

Não se demore: já vez o seu autoexame deste mês?




Especialmente escrito para o evento Dia D - Outubro Rosa, de 03/11/2016 do Câmpus Sertãozinho do IFSP.

sábado, 30 de julho de 2016

{sobre silêncio}

Já não é o silêncio que me preocupa.
Me preocupa é que eu me silencie.
Tenho aprendido, a cada dia, que de nada importa acreditar em algo.
Lutar pelo que acredita é fundamental.
São muitas as bandeiras que eu poderia carregar, mas a única que vale a pena é a da verdade.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Uma ocasião psicologicamente reprovável

É dia festivo. As luzes piscantes informam, com seu ritmado movimento.
Uma multidão me cerca e, no fundo, percebo que são mais pessoas que eu poderia contar.
Todos sorriem. Todos se embriagam com a emoção e com o líquido dos prazeres.

Os odores que exalam da ceia são encantadores, os sabores dignos de um grande banquete.
No entanto, toda a decoração, preparo e agitação não mudam o triste fato.

Não importa quantos estão lá fora, quando percebo o triste vazio em meio peito.
De nada compensa tanto calor, quando internamente o frio é mortal.

A verdade é que a porta dos sentimentos não está tão bem trancada. 
Talvez seja por conta da ocasião, onde há muito latente na superfície.
Talvez seja apenas pelo fato de que, nestas datas, as crianças costumam dizer o que apenas pensam os adultos.

Quisera que fosse apenas o efeito daquele líquido atrás do qual as pessoas se escondem.
Mas não o é.

As bolhas efervescentes nas taças consomem, uma a uma, as energias da noite.
O sorriso vai se tornando forçado. Os espaços vão te tornando menores.

E quando mergulho de cabeça, esparrama-se na água todas as amarras, todos os receios. 
Largo o escudo e a espada à margem.

E neste momento, tocam os sinos: ocorreu o ataque.

As feridas de uma simples data serão um grande e novo desafio.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

cheio de nós

Há momentos em que não nos basta olhar pra frente e pensar no futuro.
As dores são tão grandes, as feridas encontram-se tão abertas, a chuva parece machucar tanto.
Nestes momentos, caro leitor, o poeta faz poesia.
E nas entrelinhas, espremido, fica o sentimento.
O mal do poeta é que ele vive intensamente, cada sensação, cada desventura.
Alguns aprendem tanto a apreciar tal tortura, que quando deveriam viver o calor das paixões e dos amores, não sabem desfrutá-lo.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Aparentemente, mas não me engana

Não quero abrir às janelas, não por hoje.
Sei que há um mundo frio e tenebroso lá fora, e não quero vê-lo, apenas por hoje.

Não me importa que estejamos com um escaldante sol, tampouco que tenhamos pessoas pulando em piscinas e se divertindo com a refrescante sensação de um inverno com ares de verão.

O mundo lá fora pode ser, independente dos disfarces, frio e tenebroso.

terça-feira, 9 de junho de 2015

incoerências

Por diversas vezes procurei respostas, estranhamente para perguntas que nem existiam.
Retirei o vazio que preenchia meus pensamentos, tão somente para evitá-lo.
Enxuguei lágrimas, quando o ideal era deixar que elas rolassem.

Por tantas vezes, escutei o ruído da loucura.
Arranhei no vento os devaneios de minha estória.
Murmurei pedidos que jamais seriam ouvidos.

E, então, por mais e mais vezes, tão somente perdi o tempo que tinha.
Tempo gasto, desperdiçado... À espera de que eu fosse visto, mas, na penumbra de minha timidez, foi apenas isso: espera...

E no auge da falta de razão...
Brindei conquistas com cálices preenchidos de nada.
Tropecei em acasos que não fizeram nenhum sentido.
Debrucei sobre causas sem sabor, sem significado, sem estranhar minhas ironias.

E então, agora eu percebo, que farei de novo. E uma vez mais.
Talvez outra.

(Tamanha estupidez essa minha!)

Insistirei em viver pela metade, em me cobrar as coisas erradas, em esperar demais dos outros e de mim mesmo.
Postergarei aquele regime, aquele exercício, aquela caminhada, aquele amor.
E quando colocar meus cabelos úmidos no travesseiro, novamente estarei me deliciando com minhas incoerências.

Na espera de que amanhã será um novo dia. Com novas chances de repetir todas estas inconstâncias.

...

Continuarei errando,

                             porque sou frágil, sou intenso,
                                                          sou estupidamente:


                                               Humano.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

devaneios de um poeta (in)existente

Ainda que eu provasse do fruto proibido, pouco teria a dizer sobre tal fato.
Tampouco se bebesse do cálice da intensa loucura, poderia enredar pelo discurso demagógico de tardes de outono.
Mas, ao sentir o leve toque das dores de uma escura noite, gelado tal qual liga metálica exposta ao frio, não me compete deixar de suspirar.
Tantos "se"s, tantas linhas não utilizadas na aurora da juventude, que sequer posso ligar tantos desencontros.
Parece apenas mais uma noite confusa de pensamentos, imerso em sentimentos descontrolados, no entanto, é uma noite crucial para a construção de devaneios.
Nada especial, quando todas as noites se apresentam como ímpares para tal profusão de enredos.
O poeta pode não dizer, não retribuir, não (des)construir uma escrita.
Mas os versos em formato de prosa, cadentes de estilística e sedentos de caligrafia, saem rotos e deformados.
E, assim, insensivelmente, corre o tempo sem que o poeta cumpra com seu mais insensato dever: existir.