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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

passagem para o passado

Encontrei um pedaço do passado em mim.
Um retrato repleto de lembranças.
Da pessoa que fui.
Das ideias que tive.
Dos amigos que estavam próximos.
Dos amores vividos.
Dos sentimentos já empoeirados pelo tempo.
E me percebi revivendo, nas lembranças, o tempo já passado.

...

Quisera re-encontrar algumas coisas de mim, de outrora.
Mas prefiro a experiência acumulada... pelo menos por agora.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

desabafo poético

O poeta que vos fala não faz apenas poesia.
Não escreve apenas para o vento.
Sequer estende a toalha no varal da vida, para que seque com o sopro do tempo.
O poeta também escreve o vazio. A ausência de sentimentos.
E, perdido em palavras sem causa ou efeito, dá sentido ao insensível sentimento.
O poeta também tem contas. E sofre, em silêncio e sem poesia, para arranjar dinheiro para pagá-las.
Não que o seu salário não lhe baste. Bastaria, se assim o pudesse.
Mas, fazer poesia e viver de maresia, é pra bem poucos: acredite.
E o poeta também fraqueja. Desiste, quando cansa de persistir em lutas aparentemente perdidas.
Mas, a desistência, este mal insuperável, pode até render novas energias.
E assim o faz.
Mas deixa cicatrizes incicatrizáveis. Feridas abertas, ocultas do leitor.
O poeta sente sim, no seu âmago, a vontade de chorar.
E o faz, na escuridão de seu quarto, a observar a luz da noite.
E se permite ouvir melodias chorosas, enquanto medita.
Mas este poeta jamais o admitirá frente ao leitor.
Não transparecerá, pessoalmente, as amarguras que lhe consomem profundamente.
O sorriso do poeta é largo, profundo e inteiramente incoerente.
E dos amores que vive, o poeta prefere partilhar o que lhe foi bom.
O que lhe foi sensato, diante do esperado.
O poeta sofre, em segredo, o mal das perdas.
O mal das dores.
O cheiro dos dissabores.
E quando acredita em suas histórias, investe créditos do coração.
Diga ele que não, deixem de acreditar: o poeta se envolve.
Pode ser um simples beijo: mesmo que sem rosas, chocolates ou carícias mais quentes.
Mas, por malevolência dessa existência humana, toda história tem início e fim.
E nesse meio, com tantas pedras no caminho, é com o fim que o poeta não sabe lidar.
Com o fim sem uma mensagem sequer.
Com o fim com e-mails incertos e malditos.
Com palavras faladas, sem explicação.
Não, o poeta geralmente não sabe terminar as coisas. Fazem isso por ele.
O poeta é sentimento por demais. Ainda que triste, ele arrasta por anos o amargor de se ver frustrado em um amor.
E escreve, frugalmente, como se toda a vida fosse bela.
Não se iluda, leitor, não são muitos os poetas do mal do século.
A poesia concreta está além do escrito. Sempre esteve.
Admito que, como poeta, não me fujo à regra.
Mas escrevo com o sentimento de tristeza, na maioria das vezes.
Eu sei que, para um pseudopoeta, me atrevo além do que devo na poesia.
O faço por vontade e por amor.
Talvez mais pela primeira do que pela segunda.
Poetas não tem muitos amigos: as mães advertem às meninas que músicos e poetas não são boas pessoas.
E o mundo adverte aos poetas que toda dor pode ser piorada.
Se as mulheres não gostam dos poetas, há excepcionalidades. Assim como há poetas que não gostam de mulheres.
Tanto doce que, para um paladar diabético, melhor seria lançar mão a um adoçante.
E as cores da vida se apagam.
Os sentimentos se misturam e se tornam inalcançáveis.
As noites se consomem, frias e inocentes.
Os dias se colocam, para as brutais tratativas de "tudo bem".
Mas, bem lá no fundo, nada está bem.
Talvez jamais tenha estado. Ou, quem sabe, jamais fique realmente bem.
O poeta guarda, em sua caixa de pandora, todos os sentimentos.
Permite apenas que, aos poucos, o leitor o (re)conheça.
E que bote reparo, nas palavras sem sentido, para ler seus sentimentos.
E se o poeta diz mais do que deve, merece sua pena: o reconhecido desconhecimento.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

buscas

Pessoas sozinhas buscam saídas.
Buscam se encontrar próximas ou rodeadas de pessoas.
Este poeta busca entradas e estar próximo de si mesmo.
Sou um egoísta: quero compartilhar da minha própria companhia.

daninho

Posso não ser o que pensei.
Me consola ser o que sou.
O vir a ser da vida.
A erva daninha que se transforma, incontestavelmente, em remédio.
Minha dosagem é a única contradição.
Não use além do prescrito, nem aquém do indispensável.
Advirto que causo dependência.

velhas feridas

O vento gelado me faz lembrar.
Já errei demais.
Escolhi incertezas.
Mudei pelo medo. Deixei uma vida pra trás.
Deixei caminhos inseguros, mas caminhos.
Assumi os resultados. Me perdi por entre o (in)certo.
Já não posso mais. Nem por esta noite. Nem por esta insônia.
Talvez quando despertar desse devaneio.
Mas não há conectivos por entre tantos pensamentos.
Não há terminalidades.
Não há vírgulas, entonações ou espetáculos.
Há apenas o fato presente que precisa podar os espinhos.
Existe muita dor, sedimentada, entre eu e mim mesmo.

aprendi coisas que não deveria

Sei que o tempo passou.
Há mesmo um hiato entre nossas histórias.
Mas, ainda nesta noite, me ocorre nosso desencontro.
Jamais compreendi.
Talvez nunca o deveras compreenda.
Ainda tenho seu e-mail, confusas palavras.
Apenas sei que, horas após nos amarmos, me tornei apenas mais um pra você.

Teu sorriso ainda me confunde, quando em pensamentos me encontro.
É mesmo fato que, incontestavelmente, as pessoas não prestam.
O valor está para além da humanidade.
E não me excluo deste fato: aprendi com pessoas experientes, feito você.

negativas

Guarde os beijos que lhe dei.
São seus.
Mas, não se atreva. Não faça pedidos.
Não guarde bilhetes.
Não rasure emendas.
Nem imagine.
Nada mais lhe deixarei, sequer um sorriso amargo.

determinismos

Não há conto de fadas.
Não aceito argumentações, estou determinando o determinado.
Há sim muitos contos do vigário.
Muitas promessas, muitas terras não prometidas.
Muitos amores não conclusos.
As pessoas não sabem amar ao próximo: sabem tão somente aproveitar dos prazeres carnais.
Mas há a brisa.
O vento gélido madrugal, a acariciar minha face.
E, para ele, entrego todo o meu amor.
O carinho que outrora dediquei a outros, dedico ao vento.
Sua visita é - a cada noite - a única certeza que tenho.
Ainda que, na maioria das vezes, não lhe receba na janela.

solidão de novembro

É noite.
Estou só, ouvindo os barulhos da vida noturna.
Observando, pela janela do meu quarto, a vida lá fora.
Vejo o caminhar da boiada, atrapalhando os poucos carros que trafegam na avenida.
Há outras janelas. Algumas poucas abertas.
Algumas poucas vidas, dispersas. Acordados feito eu.
Acendo um cigarro. Não que eu queira fuma. Apenas o observo queimar.
Sua brasa definhar a estrutura roliça.
Dou uma tragada. Me basta.
E permaneço a olhar, atentamente, minha solidão adentrando a madrugada.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

inerte

Como eu poderia fugir de mim?
Esquecer meus pensamentos é improvável.
Me esquecer, sentado à beira da sarjeta, é bem mais factível.
Minha bagagem é densa por demais.
Meus cabelos escorrem a água da chuva.
O tempo não espera que eu o perceba.
Minhas mãos, estiradas, recebem duros golpes de moedas não pedidas.
Minha existência foi perfurada por um longo instante comigo mesmo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

sentimento manifesto

Permita-me?

Apenas gostaria de manifestar o sentimento.

Não, não preciso de palavras, apenas deixe que esta lágrima percorra seu trajeto em paz.

E, quem sabe, ao final da noite a escuridão se dissipe em meus pensamentos.

terminalidades

Na verdade não é que não te queira.
Apenas percebi que, no fundo, querer é mais complicado do que pensei.
O verbo é escorregadio.
A conjugação é grudenta.
O celular vibra muitas vezes.
A presença de outra pessoa se faz constante.
O calor desta terra promoveu outras transpirações.
Desculpe: sei que não há nexo.
Sei que não há o certo.
Apenas não quero, a contragosto, te magoar mais.
E, das palavras que puder proferir em sua insistência, esta será a única solução.

vida banalizada

E quantas noites ainda terei que aguardar o nascer do sol?
Quantos sonhos perdidos.
Quantos sentimentos consumidos...
Quantos...
Me indique.
Quantifique.
Faça gráficos.
Discuta, à luz dos referenciais teóricos.
Por favor, me entregue até segunda, para que eu possa analisar o conteúdo e a originalidade.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

primeira impressão

Estava perdido em meus pensamentos... e foi então que te vi.
Seu olhar tinha um brilho encantador.
Seus lábios o sorriso do mais sedutor.
E me entreguei.
E te olhei.
Acompanhei suas idas com os olhos.
E me atrevi.
Pedi permissão para sentar.
Nos apresentamos. Conversamos. 

Hesitei...

Toquei seu braço.

Acariciei suas tenras mãos.

Acariciei sua perna. E então, no ápice da timidez, mergulhei aos goles dos seus lábios.

Foi tão assim, incerto, confuso, real... que me apaixonei...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

efeito cascata

Perdi meus óculos.
Minhas perspectivas.
Meus sonhos.
Minhas vontades.
Minhas qualidades.
Minha personalidade.
Meu querer.
Me perdi.
Não vejo setas direcionais. Não há saídas.
Não poderia estar mais desencontrado: sequer sei quem sou.

mesa de jantar

Garçom: isto é um ultraje!
Não pedi rosas vermelhas!
Minha pretensão não era jantar em ambiente agradável.
Traga-me flores secas.
Coloque-as sobre a toalha, em descompasso.
Permita-se jantar sobre meus pensamentos desconexos...

temores madrugais

O meu temor não é o silêncio.
Não está na falta de atitudes.
Ele cresce com a incerteza, com o desuso, com as feições sérias.
E, nutrido pelas ações reprováveis, se embriaga de beijos incertos.
Se provê de amores ridículos, deitando em estranhas camas.
Descobre-se sem pudores, sem calores, sem tesão.
Experimenta tudo o que não deve.
Completa o ciclo a me encarar, pelas 3 horas da manhã: sim, há um novo e desafiante dia, para que eu me importe com meros detalhes.
Mas me corrói saber que posso não passar de mais um.

dor de amor

A maior dor do amor não é a da não correspondência.
Tampouco a do amor platônico.
Mas a do acor acabado.
Aquela que, pulsante em nossas veias, se levanta remotamente, certas noites, para tomar água.
E quando volta, nos encara com o olhar de reprovação: "como tu pudeste perder alguém tão especial?".
Nos deixando, pelo resto da noite, com a angústia a lavar a face...

dor de amor

A maior dor do amor não é a da não correspondência.
Tampouco a do amor platônico.
Mas a do acor acabado.
Aquela que, pulsante em nossas veias, se levanta remotamente, certas noites, para tomar água.
E quando volta, nos encara com o olhar de reprovação: "como tu pudeste perder alguém tão especial?".
Nos deixando, pelo resto da noite, com a angústia a lavar a face...

mutação

Sinto a ausência.
Percebo o vazio.
A sede de minha alma: ressecada de desejo.
A poesia tem desfalecido.
Tenho perdido seus últimos suspiros.
Tenho compreendido, incerto, obscuro, sua despedida.
Suas raízes em meu sentimento, se esvaem.
E com ela, todo o amor que já pude conceder, escorre por entre meus dedos.
O que deveras sempre tive medo, por ora acontece...
Tenho me tornado mais um sujeito vazio, triste e desesperançoso.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

corte

Onde está a tomada?
Quero cortar a conexão.
Tirar o último suspiro de energia.
Iniciar, em silêncio, minha própria revolução.

cigarro

Cilíndrico.
Cônico.
Randômico.
O caminho da fumaça, incerto, leva co'ele meus pensamentos.
Do cigarro que acendi, sequer fumei.
Mas n'ele me perdi, para além de tudo o que pensei...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Só de pirraça quero tudo diferente

Não quero mais viver de expectativas.
Quero tomar chá ao final da tarde.
Respirar o ar úmido do jardim, mergulhado no som do bater de asas das borboletas.
Pretendo planejar o hoje.
Pensar no momento.
Estabelecer pequenas metas.
Evitar altos tombos.
E se assim me posiciono, nesta encalorada noite, é pra fugir da mesmice sofrida das incertezas do futuro...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

vazio

tenho um espaço vazio.
sinto a tristeza da solidão.
mas não ouse, sequer se atreva, a tentar preenchê-lo.
é muito meu pra alguém tentar se aproveitar.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

estou alheio.
estou incerto.
estou inconstante.
estou próximo.
distante.
sentido.
choroso.
vedado.
obtuso.
e só...
absolutamente anônimo na escuridão de meus pensamentos.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

escolhas forçadas

Não escolhi sentir.
Mas, a seu próprio modo, tem coisas que não se escolhe.
Tem histórias que não se apagam.
Tem sentimentos que não adormecem.
E sempre tentamos passar a vida por cima, quando deveríamos aprender a superar.

ruídos

Há tantos ruídos lá fora.
Carros.
Buzinas.
Gritos.
O vento.
A vida.
E aqui dentro: o mais puro silêncio. Dá medo.

procura-se

procuro:
um olhar afetuoso, um leve toque em minha face.
um jeito único de me prender em seu abraço.
uma cumplicidade sem limites.
um sorriso, mesmo quando eu esteja arremessando os pratos.
alguém por quem valha a pena se apaixonar.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

respeito

Acontece que não é respeito que perdi.
É respeito que ganhei.
De minhas próprias atitudes, para comigo mesmo.
E tal presente, de tão cordial e sensato, é insubstituível.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

saudosismo?

Não quero os saudosismos baratos.
Nem me venha com ele caramelado, empanado ou afins.
O passou, pra mim, é aprendizado.
Saudades? E quem não o sente?
Mas não posso conduzir a vida toda em uma única marcha.
O tempo, como já diz o ditado popular, corre por entre os dedos.
E me apetece bem mais viver pelo presente.

eternamente nos sonhos

Sonhamos tanto. Esperamos tanto.
A ponto de edificarmos, em grãos frágeis de areia, todos os nossos sonhos.
Mas, então, vem o vento. A chuva lava todas as torres.
E ao final, percebemos que nada era real.
E de que vale a lição?
Nada seríamos. Sem sonhos. Sem esperanças.

terça-feira, 29 de maio de 2012

devaneios de fim de maio

Mais um mês de maio que se encerra.
Não houveram buquês, casadinhos, véu ou grinaldas.
Não comprei alianças.
Nem sequer um beijo de paixão provei.
Há muito que não acredito em princesas. Sim, eu bem sei.
Devem ter ficado todas naquele passado remoto, dos contos fantásticos.
Os contos contemporâneos tem mais a veia das solidões inesquecíveis: e viveu solitário para todo o sempre.

infindas loucuras

Tenho me deparado com o infinito.
Pelo tempo dos tempos.
E ele tem o olhar expressivo de um para além do túmulo.
Seu hálito é inebriante, mas consome meu passado em segundos.
Não vejo além do presente, que, para ele, já me é passado.
Estou todo inexistente. Limitado. Em suspensão.
Não há soluções prontas.
Tomado da resoluta questão, mergulho em sono profundo.
Não me adianta exigir conhecer para além das expectativas dele para comigo mesmo.

maktub

Não estou para além destas palavras.
Nunca estive.
Tampouco, um dia, estarei.
Pois, vindo do pó - para tal voltarei. E, de tudo o que digo, apenas o que escrevo manterei.
Manterei intacto. Incerto. Confuso.
À espera que não haja outro incêndio em Alexandria.
E que, este mundo cibernético que me abriga, continue a colecionar meus versos.

eu bem que...

Eu bem que poderia, confiantemente, deixar meus sonhos repousarem ao sol.
Talvez, se assim o fizesse, o bolor dos anos que os mantenho neste baú de sentimentos, pudesse enfim se dissipar.
Eu bem que poderia.
Mas há muito que não sei o que é a luz.
Tem tanto que não me recordo onde guardei as chaves.
Tudo que posso fazer é pensar: bem que poderia. Eu.
E nestes vão e vem de pensamentos, já se cobre o horizonte com espessas nuvens. Com o cheiro molhado de uma nova tempestade.

ira tua

Confio em ti o meu segredo. Confio em ti meu sentimento.
Mas percebo que, por hábito insosso, faz parecer que nada disso significa nada.
E então, toma as minhas mais sutis lembranças - cristalinas - e arremessas contra o concreto.

Os cacos cobrem, desta forma, quilômetros.
O que era pra estar condensado, acolhido, foi transformado em miúdos.

esfarelando-se ao toque

Há, sim, uma multidão.
Com seus ruídos ensurdecedores.
Com seus calorosos olhares curiosos.
Pasmos.
Confusos.
Com o odor característico de um dia de trabalho.
E, cá comigo, apenas percebo o vazio.
O deserto de meus pensamentos.
O incerto de meus desejos.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Talvez um dia a gente acorde e perceba que, cômico ou trágico, tudo não passou de um conto fantástico. Absurdo.
E que tudo o que pensávamos ser, ao final das contas, era apenas a imaginação de um escritor de meia idade.
Sendo assim, talvez compreendamos que nada era o que parecia. Nada - nem a pior das desilusões - era verídica. Por isso mesmo, talvez devamos nos conformar mais com quem somos e aceitar nossos papéis já atribuídos. Todo romance tem sim os mocinhos e os bandidos.

para além do necessário

Quem de vós nunca nutriu esperanças em quem não devia?
Consuma-se o fato ordinário.
Na pilha de processos por julgar, deste dia.
Para desencanto de alguns e por inconsistência de sentimentos de outros.
Alguns corações se ferem, outros tem a deselegância de preencher-lhes de feridas.

e se vivo?

Se vivo de amores passados?
Não lhe interessa.
Quero almejar sonhos futuros, mas, até que os vislumbre, não vejo mal de olhar o descortinado sonho que se consumiu.


Com efeito, posso derramar algumas lânguidas e sutis lágrimas.
Apenas algumas.


O tempo pode caminhar a passos largos, mas o coração desconhece tal sina.

sábado, 26 de maio de 2012

as funções do tempo

Se há algo que o tempo faz, perfeitamente, certamente é o esquecimento.
Ele cicatriza todas as lembranças, cobrindo-lhes com o véu do desconhecimento.
Gerações se perdem.
Histórias morrem.
Verdades se escondem.


Certas vezes há, que, de tão perfeitamente, o que se perde é para todo o sempre.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

negativa

A negativa me seduz.
Corrompe aos pudores desnecessários.
Entope as vias auditivas.
Preenche de vontade aos negados.

ciclos

Se outrora eu senti o toque da escuridão do manto da noite,
se acabou.

Ao final, sempre há um feixe inundante de luz, refletido dos ladrilhos.
Sempre há uma onda de calor que consome ao frio.
E derrete os sentimentos amargos.
Sublima as vontades contraditórias.

Mas, também este extasiante momento, se acaba.
Pois, ao crepúsculo, um novo anoitecer se anunciará.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

aguardo

Não vejo problema em esperar.
Mas não te demores.
Aguardarei até o por do sol.
Quantos pores de sol for necessário.


...

dúvidas

No princípio tudo era dúvida.
Com o decorrer do tempo, ausentam-se as respostas.
E de tanto se ausentar, um dia perde a graça de continuar perguntando.


E o silêncio congela as indagações.


E a poeira abaixa.


Então chega alguém novo, com a mesma dúvida.
E a irritação de não saber, já não passa de uma vaga lembrança.

recicle

Hoje em dia está em uso corrente a reciclagem.
Confuso.
Interessante.
Utopicamente contrastante.
Quando mesmo iniciaremos a reciclagem de sentimentos?

entendente

Quisera mesmo entender de tudo.
Adoraria.
Mas, como não posso, até lá entenderei de nada.
Nada é muito mais difícil de entender, mas persisto.

leitura

Os finos rastros de água em meus olhos, não foram de colírio.
As sutis engolidas em seco, não foram de alegria.
Os desesperados isolamentos, não foram ocasionais.
Não adianta ler um parágrafo, para que me conheças a história.
Sou um livro grosso demais, para que arrisques palpites precipitados.

esfriou

Esfriou.
O café, que aguardava meus lábios.
O vento que ecoa no metal avermelhado das janelas.
O sentimento que sofreu - catalizadamente - exposição à vida real.
Também, pudera, tudo acaba por esfriar.

declaro

Fatidicamente declaro:

Certamente o sou para além desta era.

Pertenço - ocasionalmente - para além do retrocesso.
Sim, parei no tempo do mal do século em sentimentos.
Estacionei no modernismo das revoluções literatas.

Talvez por isso não sabia a que vim, tampouco para donde vou.
Apenas sigo, observando os esforços esquivos.

Humanalidade para Objectualidade

Temerosos os tempos que vivemos: vale mais o que se faz.
Mede-se o sucesso pelo que se tem.
Os objetos são ícone de tudo.
Valem por tudo.
Absorvem as lágrimas e engolem os sentimentos.
Tenho me sentido um náufrago, em tal tempestade.
Sempre à espreita de medidas mais humanalistas.

Na espreita, em espera

De nada me adianta esperar.
A espera impaciente corrói minhas entranhas.
A escuridão, que vem chegando mansamente é fria.
Ingenuamente, espero assim mesmo.
Mas o que espero, de tão ardente, estrala aos ossos: a solidão.

Terrores

E no tremor da voz de Renato Russo, em "Teatro de Vampiros", não há poeta que não compreenda como 'ninguém' de fato consiga perceber.

Os nossos maiores terrores estão onde ninguém pode alcançar.

Trancando

Vou fechar as trancas.
Não o faço para evitar que alguém entre. Pelo contrário.
Não quero sair, o mundo é muito complicado.
Prefiro curtir a solidão errante de mim mesmo.

Procura-se

Não estou buscando nenhuma grande verdade.
Prefiro uma vitrola, um disco de vinil, um bom vinho e uma massa.
E curtir a solidão, à sombra dos galhos da existência.

Querer egoísta

O que eu desejo?
Não há palavras, tampouco objetos que satisfaçam.
Quero tudo aquilo que só faz bem a mim mesmo.
E por isso mesmo, egoisticamente, é que o quero.

Melodramático

Dê-me uma injeção de melanconia.
Ligue o meu rádio. Coloque o som no último volume.
Quero me deliciar ao som das verdades que me fortalecem.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

pensamentos rodeados

Fechei a chaves minha caixa de Pandora.
Já perdi além do que podia, quando nada de especial tinha.
Naufraguei no horizonte de areia, pensando que - finalmente - tudo poderia ser diverso.
Que nada, apenas mais do mesmo. De sempre.

silêncio

O silêncio pra mim é este barulho extenuante, de minhas noites solitárias.
Me acalenta, esquenta meus ossos.
Vela pela minha insensata insônia forçada, quando simplesmente escolho não querer dormir.
Embala minhas fantasias, meus pensamentos exacerbados.
Constrói uma vida para além da minha sanidade.

(des)atreva

Não se atreva a me dizer.
Não pretendo ouvir.
Tampouco ler, ou sentir.


Quero continuar ignorando o que pensas, pois pra mim não importa.

vazio

Aprendi, em alternativas rotas, que o vazio é um conjunto sem elementos.
Hoje, em alternativas consistentes, de forma empírica, percebo que na verdade ele é poeticamente unitário.
O poeta é sempre um elemento do vazio.
{ }


Em absoluto.

personalidade

Línguas rotuladoras são apenas reflexos de cabeças ignóbeis.
Primeiras impressões são insensatas e desprovidas de boas análises.
Por isso prefiro literatura, bons autores não apresentam personagens desprovidas de personalidade, mas lhe constroem todo o caráter, ou sua falta.


Prefiro imaginar em moto perpétuo, a especular com apenas uma olhadela.

conselho às casadoiras

Bela donzela, sente e aguarde.
Seu príncipe um dia chega. Sim, chega.
Mas até lá, vais beijar muitos sapos e enfrentar muitas adversidades.
Só não se esqueça de umas boas dosagens de botox, aplicadas pra manter a serenidade e perder o talento da expressão.


Belos príncipes encantados gostam mesmo de mulheres plastificadas.

vivência

Não mandarei recados.
Aguardarei que o tempo trate de entregá-los.
Por mais que demore, não falha.


E prefiro acreditar que seja mais prudente: há verdades que só sofrendo que se aprende!

O meu sincero eu

Minhas mais sinceras palavras, não estão escritas o faladas.
Estão expressas no meu olhar sombrio.

Quase

O quase é o pior dos defeitos.
Além de piorar tudo, ainda cria um conflito psicológico.
Estar quase é não estar no ponto, é precisar de mais sofrimento.
Talvez de mais sangue jorrando ao vento (gelado).

Faz favor...

Daí, se tu quiseres me fazer um favor, agradeço.


...


Dê o fora dos meus pensamentos. E por favor, deixe as chaves embaixo do tapete.

Direto

Entrei, confuso, na fase sintética.
Não falo por horas, não encontro cruzamentos ou sinais, apenas sigo.
Indeterminadamente.

Fale

Se me quiseres agradar, use as palavras.
Caso me queiras magoar, continue usando além do limite.
Tem dosagens, mal temperadas, que corroem todos os etéreos sentimentos.

Matematilizando

Estoure seus miolos, com pensamentos concretos.
Talvez assim, sacrificado, possa ofertar melhores valores para essa sociedade (in){existente, competente, consistente}...
E aplique uma distributiva na expressão!

Meias doces acionárias

Compreenda: não sou de contar mentiras.
Não espero meias doses.
Apenas preservo minha intimidade.
Quando eu precisar, acredite, venderei ações para que cuide dos meus problemas.

Sente cá, do meu lado

Não me diga verdades incertas.
Me diga certas verdades.
A vaidade talvez seja o seu pior defeito, mas, ainda assim, posso te acolher em meu abraço.

TV

O chiado é da TV.
Te aliena, te condena, te distorce.
Os livros não fazem ruído, não fazem juízo, não esperam nada além de uma boa leitura.
Os comerciais e tendenciosismos preservam o status quo conservadoramente errante.

Estralos, Instalos

É certo que se pese os valores. Que se pesem o pensamento.
Que se pluralize o singular para aquém do necessário.
Não me vale, de nada, tantos pesos e medidas divergentes.
Dê cá um pensamento ignóbil.
Estralarei cada um de seus compridos neurônios.

Desbaratinização

Diga olá.
Diga.
Ainda há o tempo.
Os ponteiros cruzam o concêntrico modo de entender.
Não compreendo, não saem de fato do lugar. Andam baratinados, sempre voltam aos mesmos lugares.
Não quero sentir tal liberdade, cínica, quero antever o futuro estranho, pra me prevenir de voltar aos mesmos lugares.

Quereres

Não quero mascar gomas.
Quero penetrar nos pensamentos obtusos, incertos, incompreensíveis.
Mergulhar de cabeça para longe de tudo aquilo que me devora em palavras.
A brisa deste anoitecer é provocante. Confusa.
Molhada.

Imperceptível

Não precisarei me infiltrar por debaixo da mesa.
Tampouco me esconder nos cantos: com o correr dos anos, aprendi a ser transparente.
Assim sendo, por mais que grite, me exalte e gesticule... não serei notado.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Mentiras x Amigos

Amigos não rompem sonhos.
Irrigam.
Planejam, viajam.
Por mais que saibam, quando a mentira faz bem, compactuam.

Nostálgico

Minha vontade é dar voz, em minha garganta, à Elis Regina.


Sim, "Nossos ídolos ainda são os mesmos, e as aparências não enganam não".


E meus sentimentos ainda percebem o vazio poético de sua ausência.


Somada aos sentimentos.


Multiplicada pelas desilusões.


Elevada ao expoente das amarguras.


Cante comigo, Renato, pois "Hoje a noite não tem luar".


Grite Cazuza, pois de nada adianta "mil rosas roubadas, pra desculpar minhas mentiras... minhas mancadas".


Assim serei, este garoto de sempre. Em um rosto envelhecendo...



quarta-feira, 21 de março de 2012

Psiu Poético

Hei, psiu!

- O que há?

- Não há nada. Apenas psiu.

- Assim, sem delongas?

- Fato, sem prolongamentos ou fissuras.

- Triste.

- Como triste?

- Há diversas razões para um psiu, ao passo que o seu é assim - vazio.

- Triste, de fato.

- Foi como disse.

- Talvez eu deva lhe convidar para poetar uns versos. Aceita?

- Poetabsolutamente!

Conto de Fadas: Conta outra!

Acredite: Não há conto de fadas.
Existem escolhas, certas e incertas.
Mas tudo na vida é bem assim, resultado de nossas opções.
Quando a gente cai, o mundo não desaba junto.

Talvez este seja o maior segredo da vida. Talvez. Ou eu posso estar apenas polemizando em questões retóricas.

Não há saídas, tampouco haverão entradas. Estamos no cerne de nossas vidas. Fazemos parte dos sonhos que plantamos e, por fim, colheremos o inferno dos pesadelos (ou não).

O fato é único: a lei da ação e reação é constante.
Portanto, não adianta o choro.
Não adiantam as drogas, lícitas ou não.
Seguir em frente, certamente, é o caminho mais sensato.

E ninguém chegará em um cavalo branco, trazendo anéis de brilhante ou sapatinhos de cristal. Ninguém te acordará com beijos.

Sinto muito, é dura a realidade. E este poeta compreende.
Mas fazer poesia? Ah, isso é para todo o sempre!


Plínio Alexandre dos Santos Caetano
@pliniocaetano23 - Twitter

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Saudades antecipadas

Aprendemos, a princípio à nossa própria maneira, a trabalharmos juntos.
A aprendermos juntos.
A construirmos juntos.
E entendemos que poderíamos viver o papel de Administradores - um pouco perdidos - trabalhando em equipe.
E tivemos almoços, lanches, churrascos e brincamos de amigo oculto.
O que era para ser distante, ausente, extrapolou os computadores.
Alguns de nós, para toda vida, teremos a amizade de irmãos.
Convivemos, discutimos pelas melhorias do ensino e para que alguns prazos fossem maiores.
Sofremos a dor e o sabor de 4 anos. Parecia uma eternidade. E realmente foi.
Mas, hoje, começamos a sentir o gosto de apenas uma lembrança!
Sentirei saudades destes amigos, daqueles que não nos acompanharam até o final... dos bem bolados para não deixar ninguém para trás... e daqueles e-mails com dica de vagas, palestras e com um simples "olá".
Certamente ficarão marcas eternas em nossos corações.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Dialética

Meu coração está instável.
Incerto.
Os ruídos são provocativos.
Os sentidos são destoantes.
Há um conflito, obtuso.
E neste misto de sensações, nada posso.
Respiro.
A negridão da noite engole meus pensamentos.
Não quero. E as dores: violo.
Sentidos estão aqui, deslacrados.
Incerto.
Instável. Não há prescrição indicada.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Crenças


Calor de abraço


Querer: verbo intensivo


Tantas vezes...


Apenas escolhas


Sonhando Acordado


Temporal


Diálogo com o Pedinte


Colheita


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Manifesto por um mundo melhor de se ler

O problema, já o disse Macunaíma: "Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil o são"!
Falta literatura.
Já ninguém me responde quem é Machado de Assis, Capitu é desconhecidamente anônima.
E a Luiza, que circula nos palavreados, não mais é a Luísa que se entregou ao primo Basílio, no romance de Queiroz.
Os ladrilhos deixaram de lado Olavo Bilac.
Saramago consome as teias de aranha das bibliotecas.
O fácil é todo confuso: regras ortográficas e boa escrita para quê?
Não consigo parar de pensar, o que fizeram ao Saint-Exúpery e à máxima "o essencial é invisível aos olhos"...
Realmente deixaram de ver, de analisar, de ler.
E, em meio a este abismo, tenho tanto medo que só penso em sobreviLer...

Desconhecimentos

Às vezes eu prefiro não saber.
O desconhecimento é tão saudável, que cheira ao desespero!
Quando a ciência dos fatos se intera dos meus pensamentos, quero transformar o mundo...
Isso queima todos os meus neurônios!

Poeta de Fases

Na verdade eu sou um poeta de fases: há tantos sentimentos, que não posso simplesmente viver à luz do sol!
São deliciosas as manhas chuvosas, tanto quanto o perfume das flores.
Mas, do abismo gélido de momentos de tristeza, também nascem muitos pensamentos...

Você

Quero te escrever em verso.
Mas não consigo!
É tudo tão perfeito, que não caberia em estrofes!
Talvez o melhor seja apenas imaginar, assim ficarei sem limites... e cada vez mais apaixonado!

Pedido de um apaixonado

Dai-me um beijo demorado.
Daqueles de cinema.
Quanto mais molhado, por favor.
Quero sentir teu abraço.
Te roçar a nuca com minha barba, fazer-te arrepiar todo o corpo.
Dorme em meu peito.
Sinta meu coração.
Quero te dar todo um mundo, quero que seja intenso.
Há tanto em mim, que apenas aguarda o seu pedido!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sensações

Não posso ceder a um sorriso, sua expressão me congela.
Se acaso me olhares, desnudar-me-á sem sequer proferir palavra.
Não me encare, não fui feito para ser consumido, arrastado, incendiado.
Minha fortaleza de babel já provou não suportar a tempestade de sua presença.
Meu visto para o amor está carimbado, já não há tempo para pela fresta da porta espreitar...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Colheita

Não plantei dores.
Não colherei ferimentos antipáticos!
Desejo, modestamente, colher lírios amarelos!

Incômodas Dores

Não quero sorrir, a menos que deveras tenha um motivo.
A alegria não me invade o íntimo, mas penetra duramente nos pensamentos alheios.
De cócoras, derramo o suco de minhas fatigadas experiências.
Sim, há dores, tantas que sequer entendo sua origem.
Há rumores de que nada mudará, tampouco que vá alterar os fatos.
Estes caminhos inexatos, anexos aos sonhos perplexos, não levam a lugar algum...
E o crônico sintoma apenas acontece, doído...
Não me ligue, o tilintar do telefone é irritante!
Quero apenas provar, sem delongas, do sono profundo!

Conselhos de Amigo

Me permita dizer, sem rodeios, que não gosto de te ver triste.
Mas, se acaso insistires em viver este pseudo amor, preferirei sequer contemplar teu semblante...
Amigos são aqueles que, no calor do momento, não querem entender, apenas sentem uma raiva contida imensa.
Não posso lhe enxugar o rosto todos os dias, não quero me sentir impotente.
Contudo, sei as escolhas que faço... e entendo as que você deixou de lado!
Acredite, há sempre uma um caminho, uma saída improvável.
Mas pra isso, terás que vencer o medo que lhe dominaste...


Também disponível no Coletivo Revolucionário.

Mistérios da Vida

Certa vez, estranhamente, me disseram que a vida era assim, intensa e imprecisa.
Muleque que era, olhei para as estrelas e me perguntei como poderia ser tal fato uma verdade.
Mas, o tempo que nunca pode abalar as estruturas da mente, se encarregou de mostrar como deveras o é...


Sim, ela é intensa: tanto quanto os sentimentos que lhe aplicamos.


Imprecisa: porque jamais saberemos o que deveras desejamos...









Também disponível no Coletivo Revolucionário.

Aprendizados...

E então a gente (re)aprende: que o incondicional é precioso demais...
Que o mundo não pára para que a gente repita as tentativas.
Mas que, sempre haverá uma nova chance, abstrata, mas existente.
E que, independente de quantas lágrimas alguém nos roube:
Sempre existirá alguém que poderá merecer nosso sorriso...





Também disponível no Coletivo Revolucionário.

Saudades de Natal

Sabe, parece que toda esta multidão a meu redor de nada adianta.
Há um silêncio interior. Meu coração está mudo.
Ansioso pela tua presença, tímida e pueril.
Inquieto pelo teu sorriso.
Desejoso de teus lábios...
É meia noite e, há muitos sorrisos infantis ao redor de presentes.
Várias taças se tocam no ar, envoltas por sorrisos delicados.
Mas nada disso me retira do zeloso cuidado para com meus pensamentos.
Falta algo, talvez seja o meu tudo.
Falta você...



Também disponível no Coletivo Revolucionário.